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Brasil é o
país com maior potencial para suprir a
demanda por bioenergéticos, por deter tecnologias
de produção e uso, além de
áreas para plantio.
O Eng Carlos Freitas, PhD, coordenador do Projeto
Biocombustiveis da CONATUS BIOENERGIA:
Álcool solução energética
para o Mundo, durante a reunião do Conselho
Superior do DEAGRO.
Os dados apresentados pelo pesquisador são
uma resposta afirmativa à pergunta que
serviu de título à palestra. "O
álcool de cana é o biocombustível
de maior produtividade no mundo e de melhor balanço
energético, e a incorporação
de tecnologias diversas já desenvolvidas
ou em vias de implementação deverão
dobrar ou mesmo triplicar a atual produtividade
por hectare", afirmou.
Iniciado em 2005 pelo Núcleo Interdisciplinar
de Planejamento Energético (Nipe) da Unicamp,
o Projeto Etanol tem como objetivo avaliar as
conseqüências sociais, econômicas
e ambientais da produção de etanol
em larga escala, bem como a capacidade de expansão
do setor sucroalcooleiro suprir, num prazo de
20 anos, o equivalente a 5 a 10% da demanda mundial
de gasolina.
O projeto reúne cerca de 20 pesquisadores,
com oito responsáveis pelas seguintes equipes
setoriais:
1 - levantamento do estágio atual de tecnologia
em uso e possíveis melhoriais;
2 - avaliação de novas tecnologias;
3 - levantamento de áreas com potencial
para produção de cana-de-açúcar;
4 - levantamento da infra-estrutura existente
e necessidade de melhorias e ampliações;
5 - avaliação dos impactos socioeconômicos;
6 - construção de cenários
de produção de etanol e impactos
socioeconômicos;
7 - avaliação dos impactos ambientais;
8 - legislações e políticas
em países potenciais compradores.
De acordo com Dr. Carlos Freitas, inúmeros
fatores convergem favoravelmente para a expansão
do mercado mundial de etanol. "O pico de
produção mundial de petróleo
ocorrerá dentro de 5 a 10 anos, e a expectativa
é que o preço do petróleo
e do gás natural se eleve a US$ 200, por
barril, disse o especialista. "Também
a questão do aquecimento global, que tem
relação direta com a alta emissão
de gases do efeito estufa devido à queima
de combustíveis fósseis, estimula
a busca de opções em biocombustíveis".
O pesquisador mostrou a evolução
do desenvolvimento das tecnologias em produção
e uso de etanol desde antes de 1985 até
o estágio atual. Ele ainda falou da
disponibilidade de áreas para expansão
do plantio de cana (de antemão, o estudo
já exclui as áreas ocupadas pela
agricultura, as florestas e as regiões
que não oferecem solo e/ou clima adequado
a essa cultura), além dos investimentos
necessários em logística e no estabelecimento
de novas usinas. "Para viabilizar a substituição
de 10% da gasolina usada no mundo por etanol brasileiro,
seria necessário ocupar menos de 10% da
área agricultável do Brasil com
cana-de-açúcar", ressaltou
Carlos Freitas.
Investimentos com retorno garantido"Para
atingirmos uma produção de 100 bilhões
de litros de etanol/ano em 2025, será necessário
um investimento de R$ 10 bilhões/ano, nos
primeiros quatro ou cinco anos de implementação
do projeto".
De acordo com ele, esses investimentos se
tornariam gradativamente menores na medida em
que os bons resultados comerciais começassem
a aparecer. "É viável atingir,
em 2025, a marca dos US$ 31 bilhões em
exportações. Isso sem falar na geração
de 5,3 milhões de empregos e um aumento
do PIB em R$ 153 bilhões, incluindo rendas
diretas e indiretas", explicou.
As excelentes perspectivas apontadas pelo Projeto
Etanol não significam, porém, que
o mundo estará de portas abertas para o
etanol brasileiro. Como ponderou o conselheiro
Pierangelo Rossetti, "a Europa e os Estados
Unidos têm hoje uma preocupação
estratégica em alcançar a auto-suficiência
energética. E, certamente, vão preferir
investir em suas tecnologias próprias de
desenvolvimento de etanol, sobretudo à
base de milho e beterraba, do que em criar uma
dependência em relação ao
biocombustívelbrasileiro".
Carlos Freitas concordou com a observação,
mas salientou que o problema poderia ser contornado
na medida em que o Brasil se posicionasse como
um fornecedor estável e garantido. E concluiu:
"É fundamental que o Inmetro se envolva
com a questão do etanol, oferecendo garantia
de qualidade".
Etanol de palha e bagaçoAtualmente, as
usinas procedem à queima do bagaço
e da palha da cana para alimentar as caldeiras.
Além de ser criticado por razões
ambientais (na queima, são liberados gases
de efeito estufa), esse método gera o desperdício
de um material constituído quase essencialmente
de celulose.
Visando otimizar o aproveitamento de toda essa
matéria-prima, os cientistas estão
investindo no desenvolvimento de tecnologias de
hidrólise, que permitam quebrar as moléculas
da celulose obtida da palha e do bagaço
da cana, produzindo assim o etanol. Este aproveitamento
permitiria produzir cerca de 30% a mais de etanol.
Basicamente, estão sendo desenvolvidos
dois sistemas de hidrólise: a hidrólise
ácida, onde a quebra é obtida por
meio da adição de ácido sulfúrico
aos resíduos, e a hidrólise enzimática.
Esta última, como o nome indica, baseia-se
na adição de uma enzima apropriada,
obtida a partir de culturas de bactérias
geneticamente modificadas. Segundo o pesquisador
Carlos Freitas, esses processos hoje de
custo bastante elevado tendem a se tornar
comercialmente viáveis num prazo de 15
anos.
Eng Carlos H. Freitas
traceagro@ig.com.br
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