03 de junho de 2009

A petroquímica e o futuro da Bahia


Ao anunciar a possibilidade de um investimento na Bahia da ordem de R$ 1 bilhão na área petroquímica, a cargo da Braskem e da venezuelana Pequiven, o governador Jaques Wagner colocou a petroquímica de volta na agenda do desenvolvimento da Bahia. É verdade que tal empreendimento ainda está no terreno das possibilidades e dependendo da compatibilização dos planos estratégicos de cada empresa. Mas, ao voltar os olhos para o setor, o governador sinalizou o que esta coluna já havia subscrito: o futuro industrial da Bahia passa pelo fortalecimento do setor petroquímico.

E aqui vale lembrar que o Polo Petroquímico de Camaçari está dinâmico e ativo, com investimentos sendo realizados, a exemplo da planta da Braskem de ETBE, que entrará em operação no início do segundo semestre.

Mas, para manter o dinamismo, é preciso novos investimentos de porte. E é aí que entra o governo do Estado, que, historicamente, capitaneou todos os grandes investimentos industriais, a exemplo, do próprio Polo e da indústria automobilística.

Em poucas palavras: o governo precisa de um plano estratégico para a expansão da petroquímica, capaz de estabelecer um cronograma para a resolução dos problemas fiscais e de infraestrutura e de sinalizar os caminhos estratégicos. Na área fiscal, louvese a ação do governo Wagner na redução da alíquota de ICMS de 17% para 11,75%, mas ainda falta equacionar a questão dos créditos acumulados de ICMS, que montam a quase R$ 600 milhões.

No âmbito da infraestrutura, urge estabelecer um cronograma de ações para investimentos na área portuária, no sistema de transporte no entorno da BA-093 e na questão relacionada ao fornecimento de gás. Só isso já ampliaria as possibilidades do setor, fortalecendo as condições para a implantação de uma nova unidade de polipropileno pela Braskem prevista para 2012.

Além disso, é fundamental que a planta de ácido acrílico seja implantada na Bahia (ver nota abaixo) e que se estudem possibilidades no âmbito da transformação do Cumeno-Fenol. Além disso, cabe estimular os investimentos em indústrias de 3ª geração produtoras de bens finais, agregando valor à produção local.

Em suma: o futuro industrial da Bahia passa pela petroquímica e pelo governo do Estado.

Wagner e o ácido acrílico O Polo Petroquímico de Camaçari vai bem, mas precisa de um projeto de porte. Por isso, o governador Jaques Wagner deveria jogar todas as suas fichas no projeto da Braskem com a Pequiven e na atração de uma planta de ácido acrílico, que, inexplicavelmente, a Petrobras quer implantar em Minas Gerais. Felizmente, ao que parece, a localização em Minas era tão inviável que os parceiros privados recuaram.

A planta de ácido acrílico, um investimento de US$ 350 milhões, tem, sob qualquer aspecto econômico, sua localização ideal em Camaçari, onde sobra a matéria-prima básica necessária, o propeno. A Petroquisa, subsidiária da Petrobras, cujo presidente é o baiano Sérgio Gabrielli, é um dos líderes do projeto, e o governador pode influir na sua localização.

Geddel e o Projeto Salitre - O ministro Geddel Vieira Lima cumpriu a promessa. Ao assumir o Ministério da Integração, o ministro anunciou que retomaria as obras dos projetos Salitre e Baixio de Irecê, paralisadas há anos. Pois bem, a 1ª etapa do Projeto Salitre, englobando quatro mil hectares, foi concluída, e lançados os editais para ocupação das terras. No primeiro edital, para a venda de 255 lotes, entre 8 e 12 hectares, inscreveram-se três mil produtores.

O mais importante é que, dos inscritos, 80% têm experiência em irrigação, 64% têm nível universitário e 75% possuem renda acima de cinco salários mínimos, demonstrando não só o interesse da população, mas também a qualificação dos proponentes, o que se constitui uma garantia de sucesso do empreendimento.

Além disso, ao contrário do que se previa, 96% dos inscritos são oriundos da região de Petrolina e Juazeiro. O edital para comercialização de 18 lotes de 15 a 50 hectares, destinados a médios produtores, recebeu 74 propostas. É uma boa notícia, afinal, o Salitre e o Baixio de Irecê, quando implementados integralmente, podem aumentar em até 100 mil toneladas a produção agrícola baiana.

O Brasil e os automóveis Há alguns anos, estive a trabalho na cidade de San Juan, na Costa Rica, e fiquei impressionado: a cidade inteira havia se transformado num enorme engarrafamento. Indaguei o motivo, e a resposta veio imediata: uma política generalizada de aquisição de veículos, sem o indispensável investimento infraestrutura urbana. Pois bem, hoje no Brasil se verifica o mesmo processo. Esta semana, os bancos voltaram a financiar automóveis em 80 meses e o número de motos vendidas anualmente já chega a dois milhões. No entanto, enquanto as fábricas abarrotam as cidades de automóveis, os investimentos em infraestrutura urbana do governo federal praticamente inexistem e as prefeituras são obrigadas a arcar com custos cada vez maiores para viabilizar um sistema de transporte eficiente. Não adianta, portanto, colocar a culpa nas prefeituras, cabe, sim, ao governo federal estabelecer linhas de crédito para ampliar as vias urbanas e evitar o caos nas cidades brasileiras.

Fonte: A Tarde Online – Opinião – Armando Avena