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Ao anunciar a possibilidade de
um investimento na Bahia da ordem de R$ 1 bilhão
na área petroquímica, a cargo da
Braskem e da venezuelana Pequiven, o governador
Jaques Wagner colocou a petroquímica de
volta na agenda do desenvolvimento da Bahia. É
verdade que tal empreendimento ainda está
no terreno das possibilidades e dependendo da
compatibilização dos planos estratégicos
de cada empresa. Mas, ao voltar os olhos para
o setor, o governador sinalizou o que esta coluna
já havia subscrito: o futuro industrial
da Bahia passa pelo fortalecimento do setor petroquímico.
E aqui vale lembrar que o Polo Petroquímico
de Camaçari está dinâmico
e ativo, com investimentos sendo realizados, a
exemplo da planta da Braskem de ETBE, que entrará
em operação no início do
segundo semestre.
Mas, para manter o dinamismo, é preciso
novos investimentos de porte. E é aí
que entra o governo do Estado, que, historicamente,
capitaneou todos os grandes investimentos industriais,
a exemplo, do próprio Polo e da indústria
automobilística.
Em poucas palavras: o governo precisa de um plano
estratégico para a expansão da petroquímica,
capaz de estabelecer um cronograma para a resolução
dos problemas fiscais e de infraestrutura e de
sinalizar os caminhos estratégicos. Na
área fiscal, louvese a ação
do governo Wagner na redução da
alíquota de ICMS de 17% para 11,75%, mas
ainda falta equacionar a questão dos créditos
acumulados de ICMS, que montam a quase R$ 600
milhões.
No âmbito da infraestrutura, urge estabelecer
um cronograma de ações para investimentos
na área portuária, no sistema de
transporte no entorno da BA-093 e na questão
relacionada ao fornecimento de gás. Só
isso já ampliaria as possibilidades do
setor, fortalecendo as condições
para a implantação de uma nova unidade
de polipropileno pela Braskem prevista para 2012.
Além disso, é fundamental que a
planta de ácido acrílico seja implantada
na Bahia (ver nota abaixo) e que se estudem possibilidades
no âmbito da transformação
do Cumeno-Fenol. Além disso, cabe estimular
os investimentos em indústrias de 3ª
geração produtoras de bens finais,
agregando valor à produção
local.
Em suma: o futuro industrial da Bahia passa pela
petroquímica e pelo governo do Estado.
Wagner e o ácido acrílico O Polo
Petroquímico de Camaçari vai bem,
mas precisa de um projeto de porte. Por isso,
o governador Jaques Wagner deveria jogar todas
as suas fichas no projeto da Braskem com a Pequiven
e na atração de uma planta de ácido
acrílico, que, inexplicavelmente, a Petrobras
quer implantar em Minas Gerais. Felizmente, ao
que parece, a localização em Minas
era tão inviável que os parceiros
privados recuaram.
A planta de ácido acrílico, um investimento
de US$ 350 milhões, tem, sob qualquer aspecto
econômico, sua localização
ideal em Camaçari, onde sobra a matéria-prima
básica necessária, o propeno. A
Petroquisa, subsidiária da Petrobras, cujo
presidente é o baiano Sérgio Gabrielli,
é um dos líderes do projeto, e o
governador pode influir na sua localização.
Geddel e o Projeto Salitre - O ministro Geddel
Vieira Lima cumpriu a promessa. Ao assumir o Ministério
da Integração, o ministro anunciou
que retomaria as obras dos projetos Salitre e
Baixio de Irecê, paralisadas há anos.
Pois bem, a 1ª etapa do Projeto Salitre,
englobando quatro mil hectares, foi concluída,
e lançados os editais para ocupação
das terras. No primeiro edital, para a venda de
255 lotes, entre 8 e 12 hectares, inscreveram-se
três mil produtores.
O mais importante é que, dos inscritos,
80% têm experiência em irrigação,
64% têm nível universitário
e 75% possuem renda acima de cinco salários
mínimos, demonstrando não só
o interesse da população, mas também
a qualificação dos proponentes,
o que se constitui uma garantia de sucesso do
empreendimento.
Além disso, ao contrário do que
se previa, 96% dos inscritos são oriundos
da região de Petrolina e Juazeiro. O edital
para comercialização de 18 lotes
de 15 a 50 hectares, destinados a médios
produtores, recebeu 74 propostas. É uma
boa notícia, afinal, o Salitre e o Baixio
de Irecê, quando implementados integralmente,
podem aumentar em até 100 mil toneladas
a produção agrícola baiana.
O Brasil e os automóveis Há alguns
anos, estive a trabalho na cidade de San Juan,
na Costa Rica, e fiquei impressionado: a cidade
inteira havia se transformado num enorme engarrafamento.
Indaguei o motivo, e a resposta veio imediata:
uma política generalizada de aquisição
de veículos, sem o indispensável
investimento infraestrutura urbana. Pois bem,
hoje no Brasil se verifica o mesmo processo. Esta
semana, os bancos voltaram a financiar automóveis
em 80 meses e o número de motos vendidas
anualmente já chega a dois milhões.
No entanto, enquanto as fábricas abarrotam
as cidades de automóveis, os investimentos
em infraestrutura urbana do governo federal praticamente
inexistem e as prefeituras são obrigadas
a arcar com custos cada vez maiores para viabilizar
um sistema de transporte eficiente. Não
adianta, portanto, colocar a culpa nas prefeituras,
cabe, sim, ao governo federal estabelecer linhas
de crédito para ampliar as vias urbanas
e evitar o caos nas cidades brasileiras.
Fonte: A Tarde Online Opinião
Armando Avena
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