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A cana-de-açúcar é a melhor
opção para se produzir etanol no
mundo. A frase não foi dita pelo presidente
Luiz Inácio Lula da Silva, nem por qualquer
outro brasileiro. A afirmação é
do analista da International Energy Association
(IEA), Ralph Sims. Para o especialista, que estuda
os biocombustíveis há mais de 30
anos na Nova Zelândia, a cultura da cana
é, de longe, a mais competitiva e ecologicamente
sustentável. Ao contrário do milho,
que depende de fortes subsídios nos Estados
Unidos e pode impactar a produção
de alimentos, da beterraba ou de qualquer outro
produto agrícola.
"O grande problema é área para
plantar. No caso do Brasil, há muito estoque
de alimentos. O país usa só cerca
de 30% de sua área plantável para
os biocombustíveis, sem precisar mexer
com a Amazônia", comentou Sims, ao
participar ontem no Recife do I Seminário
Internacional Petróleo, Gás e Fontes
de Energia Alternativas. Segundo ele, a redução
de áreas agricultáveis já
é umarealidade. Somente a França
perdeu 100 milhões de hectares por motivos
climáticos nos últimos anos.
Os biocombustíveis participam com cerca
de 10% da matriz energética mundial. Sims
prevê que, em 2030, eles terão uma
fatia de 17%. O etanol, por sua vez, ganhou as
manchetes de jornais e revistas como o vilão
responsável pela alta dos alimentos. "Os
alimentos subiram de preço não por
causa do etanol, mas por causa do aumento da demanda,
da especulação no mercado internacional
e das catástrofes climáticas. Também
contribuiu a elevação de preços
do petróleo e dos custos dos fertilizantes".
Renato Cunha, presidente do Sindicato da Indústria
do Açúcar e do Álcool (Sindaçúcar-PE),
lembrou que mais de 90% da frota nacional de veículos
são flex fuel. "Somos muito competitivos.
O preço do álcool hidratado fica
em 62% em relação à gasolina,
mesmo em momentos de sazonalidade. Para incrementar
ainda mais esse segmento, precisamos de investimentos
públicos em estoque", afirmou. O Brasil
produz 27 bilhões de litros de etanol por
ano. Até 2022, os Estados Unidos vão
exigir uma mistura de 10% do álcool à
gasolina, o que deve demandar 136 bilhões
de litros/ano.
"Certamente eles não vão poder
dar conta. Nem o Brasil. Então esse é
um mercado muito promissor", comentou Cunha.
A Petrobras, que acaba de criar uma subsidiária
para os biocombustíveis, está atenta
a esse potencial. Vai produzir etanol em parceria
com a japonesa Mitsui, ao mesmo tempo em que procura
diversificar o leque de matérias-primas.
"As pesquisas para produção
do etanol de segunda geração, feito
de celulose, já estão bem desenvolvidas",
garantiu o diretor industrial da Petrobras Biocombustível,
Ricardo Castello Branco.
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