12 de novembro de 2008

OAS e Setal lançam projeto na Bahia Francisco Góes, do Rio


Valor Econômico
 
A baiana OAS, da área de construção pesada, e a Setal, com atuação no segmento de óleo e gás, estão retornando à construção naval e offshore. Hoje, as duas companhias anunciam oficialmente, em sociedade com a Piemonte, uma empresa de investimentos, um projeto de US$ 400 milhões para instalar em Maragogipe, na região metropolitana de Salvador, o projeto Estaleiro da Bahia S.A., voltado para a construção de petroleiros, plataformas, sondas de perfuração e navios de apoio offshore.

O novo estaleiro surge com a meta de ser a segunda empresa do setor em capacidade instalada, atrás do Atlântico Sul (PE). Situado no rio Paraguaçu, que desemboca na Baía de Todos os Santos, o projeto foi desenhado para processar 110 mil toneladas de aço por ano, entre operações de corte, dobra e solda. O Atlântico Sul tem capacidade de 160 mil toneladas ano e, em dois anos, planeja dobrá-la.

Os sócios do Estaleiro da Bahia querem financiar o projeto com dinheiro do Fundo da Marinha Mercante (FMM), linha de empréstimo de longo prazo para o setor. "Pretendemos entrar com o pedido de prioridade (no FMM) no começo de 2009", disse Alberto Padilla, representante da Setal no negócio. Com 45% do capital, a Setal volta à construção naval e offshore depois de ter vendido para a Keppel Fels, de Cingapura, os 40% de participação que tinha no Fels Setal, em Angra dos Reis (RJ).

Em 2005, o estaleiro de Angra passou a ser 100% controlado pelos cingapurianos e, por contrato, a Setal ficou impedida de atuar na construção naval até dezembro de 2007. A venda da participação acionária ajudou a recompor o braço de construção da Setal, mas o negócio foi também uma "oportunidade", disse Padilla. No caso da OAS, trata-se também de um retorno ao setor depois da venda da Ultratec, empresa da área de construção naval e offshore que pertencia ao grupo, disse André Python, presidente do Estaleiro da Bahia. A OAS terá 45% do empreendimento e a Piemonte, os 10% restantes.

O estaleiro baiano será o primeiro empreendimento a ser instalado no Pólo da Indústria Naval que está sendo lançado pelo governo do Estado da Bahia. O projeto será vizinho a um canteiro de obras usado pela Petrobras, em São Roque de Paraguaçu, para construir plataformas que operam em águas rasas (baixa profundidade). O anúncio do novo empreendimento será feito hoje na Feippetro 2008, feira que reúne fornecedores da indústria de petróleo e gás.

Padilla disse que as obras do estaleiro devem começar no primeiro semestre de 2009 com conclusão prevista para o fim de 2010. Antes, porém, em julho, o estaleiro deverá começar a funcionar com 75% da capacidade instalada. Na construção serão criados mil empregos e no início da operação chegar a cinco mil postos diretos.

Segundo Padilla, existe um memorando de entendimento entre o estaleiro e o governo da Bahia para compra, em Maragogipe, de área de 1,5 milhão de metros quadrados, dos quais 750 mil para montar as instalações. O restante será mantido como área de preservação ambiental, disse. Ele afirmou que espera receber a aprovação do estudo e relatório de impacto ambiental (Eia-Rima) no começo de 2009.
O estaleiro assinou acordo com a norueguesa Sevan Marine, especializada no setor.