Valor Econômico
A baiana OAS, da área de construção
pesada, e a Setal, com atuação no
segmento de óleo e gás, estão
retornando à construção naval
e offshore. Hoje, as duas companhias anunciam oficialmente,
em sociedade com a Piemonte, uma empresa de investimentos,
um projeto de US$ 400 milhões para instalar
em Maragogipe, na região metropolitana de
Salvador, o projeto Estaleiro da Bahia S.A., voltado
para a construção de petroleiros,
plataformas, sondas de perfuração
e navios de apoio offshore.
O novo estaleiro surge com a meta de ser a segunda
empresa do setor em capacidade instalada, atrás
do Atlântico Sul (PE). Situado no rio Paraguaçu,
que desemboca na Baía de Todos os Santos,
o projeto foi desenhado para processar 110 mil
toneladas de aço por ano, entre operações
de corte, dobra e solda. O Atlântico Sul
tem capacidade de 160 mil toneladas ano e, em
dois anos, planeja dobrá-la.
Os sócios do Estaleiro da Bahia querem
financiar o projeto com dinheiro do Fundo da Marinha
Mercante (FMM), linha de empréstimo de
longo prazo para o setor. "Pretendemos entrar
com o pedido de prioridade (no FMM) no começo
de 2009", disse Alberto Padilla, representante
da Setal no negócio. Com 45% do capital,
a Setal volta à construção
naval e offshore depois de ter vendido para a
Keppel Fels, de Cingapura, os 40% de participação
que tinha no Fels Setal, em Angra dos Reis (RJ).
Em 2005, o estaleiro de Angra passou a ser 100%
controlado pelos cingapurianos e, por contrato,
a Setal ficou impedida de atuar na construção
naval até dezembro de 2007. A venda da
participação acionária ajudou
a recompor o braço de construção
da Setal, mas o negócio foi também
uma "oportunidade", disse Padilla. No
caso da OAS, trata-se também de um retorno
ao setor depois da venda da Ultratec, empresa
da área de construção naval
e offshore que pertencia ao grupo, disse André
Python, presidente do Estaleiro da Bahia. A OAS
terá 45% do empreendimento e a Piemonte,
os 10% restantes.
O estaleiro baiano será o primeiro empreendimento
a ser instalado no Pólo da Indústria
Naval que está sendo lançado pelo
governo do Estado da Bahia. O projeto será
vizinho a um canteiro de obras usado pela Petrobras,
em São Roque de Paraguaçu, para
construir plataformas que operam em águas
rasas (baixa profundidade). O anúncio do
novo empreendimento será feito hoje na
Feippetro 2008, feira que reúne fornecedores
da indústria de petróleo e gás.
Padilla disse que as obras do estaleiro devem
começar no primeiro semestre de 2009 com
conclusão prevista para o fim de 2010.
Antes, porém, em julho, o estaleiro deverá
começar a funcionar com 75% da capacidade
instalada. Na construção serão
criados mil empregos e no início da operação
chegar a cinco mil postos diretos.
Segundo Padilla, existe um memorando de entendimento
entre o estaleiro e o governo da Bahia para compra,
em Maragogipe, de área de 1,5 milhão
de metros quadrados, dos quais 750 mil para montar
as instalações. O restante será
mantido como área de preservação
ambiental, disse. Ele afirmou que espera receber
a aprovação do estudo e relatório
de impacto ambiental (Eia-Rima) no começo
de 2009.
O estaleiro assinou acordo com a norueguesa Sevan
Marine, especializada no setor.
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