12 de novembro de 2008

Pólo Naval vai fabricar navios de grande porte no Recôncavo


Wagner: "Projeto foi concebido para atender os mais rigorosos princípios de sustentabilidade"
 
Gabriel Carvalho: redação I Agecom

A região do Recôncavo Baiano, mais exatamente os municípios de Maragogipe e Saubara, vai abrigar o primeiro Pólo da Industria Naval da Bahia para a fabricação de navios e embarcações de grande porte.

O projeto, que terá investimentos de R$ 2 bilhões da iniciativa privada e deverá gerar mais de 10 mil postos de trabalho, foi detalhado pelo governador Jaques Wagner durante a abertura da VI Feira Internacional de Fornecedores de Petróleo, Gás, Mineração, Química, Usinagem, Siderurgia, Papel e Celulose e Meio Ambiente (Feippetro) – Bahia 2008, ontem, no Centro de Convenções.

O evento vai reunir, até sexta-feira, mais de 15 mil pessoas entre empresários, fornecedores, expositores e participantes de todo o país interessados nas áreas de petróleo, gás e tecnologia.

Wagner explica que o projeto foi concebido com a preocupação de atender os mais rigorosos princípios de sustentabilidade, como também respeitar a diversidade cultural local e o diálogo com a sociedade.

Idealizado pelo Governo do Estado, com apoio do governo federal e da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), o pólo prevê inicialmente a implantação de três estaleiros.

"O lançamento de um empreendimento como esse é como firmar a base para a retomada de um processo de crescimento econômico, uma vez que o Brasil e o mundo vivem uma turbulência com a crise financeira global", afirmou o governador.
Wagner voltou a criticar o mercado especulativo e anunciou que viaja para a Suécia, no fim desta semana, a fim de garantir investimentos para a ampliação de uma fábrica de celulose e buscar recursos para a instalação de um pólo moveleiro no Extremo Sul.

Vocação – "Grandes empresas como OAS, Setal, Piemonte e Odebrecht já confirmaram participação no empreendimento. A Bahia tem uma vocação muito grande e a maior costa do país, o que a credencia para sediar um empreendimento como esse. O maior desafio é preparar e qualificar a mão-de-obra para atender as demandas das empresas", avalia o titular da SICM, Rafael Amoedo.

O vice-presidente do Sindicato Nacional da Indústria da Construção Naval (Sinaval), Reinaldo Pinto dos Santos, ratifica as declarações do secretário e acredita que o pólo naval baiano vai alavancar a economia local.

Segundo ele, quando entrar em atividade, o empreendimento deve atrair outros investimentos. "A TWB, mesma empresa que administra o sistema ferry-boat, vai investir R$ 100 milhões em uma planta em Aratu e em seguida aportar recursos também no Pólo Naval", afirmou.

De plataformas de petróleo a sondas de perfuração

O pólo deve ser implantado, em duas fases, na área de influência da foz do Rio Paraguaçu.

No local serão construídas plataformas de petróleo, navios FPSO (Floating, Production, Storage and Offloading), sondas de perfuração, petroleiros, além de embarcações de apoio, como barcos de suprimento e para ancoragem de plataformas em alto mar, combate a derrames de óleo e outro fins.

O Pólo Naval vai fabricar plataformas, navios, peças e pequenas embarcações. O principal cliente na fase inicial do projeto será a Petrobras.

O local terá ainda potencial para a realização de conversões de cascos de navios para transformá-los em FPSO e/ou sondas de perfuração marítima.

Aquecimento – De acordo com dados relativos ao segmento, a indústria naval mundial fatura, anualmente, uma média de US$ 120 bilhões e atravessa uma fase de aquecimento com a demanda da ordem de 4 mil navios.

A Petrobras está incluída neste cálculo, com uma demanda de 146 navios apoiadores de pequeno e médio portes, para operações petrolíferas em alto-mar.

A Transpetro, empresa transportadora de combustíveis vinculada à estatal brasileira, também tem planos de adquirir 23 novas embarcações, que se somarão aos 26 petroleiros anunciados recentemente.

Fonte: Diário Oficial