03 de Agosto de 2008

Prospecção de petróleo pode atingir Nordeste


A décima rodada do Conselho Nacional de Política Energética, que deverá acontecer ainda este ano, poderá apontar mais duas áreas para prospecção de petróleo envolvendo os estados de Pernambuco, Ceará e da Paraíba.

A possibilidade foi anunciada ontem pelo secretário de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco, Fernando Bezerra Coelho, na abertura do I Seminário Internacional de Petróleo, Gás e Fontes de Energias Alternativas, realizado em Recife.

Segundo o secretário, uma das bacias de prospecção está na Chapada do Araripe, metade em Pernambuco e metade no Ceará, e a outra em parte da Paraíba chegando a toda Zona da Mata Norte pernambucana, próxima ao litoral.

Novas fronteiras

O diretor da Agência Nacional de Petróleo (ANP), Nelson Narciso, disse que as áreas só serão confirmadas com a décima rodada da ANP que está para ser definida na reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) marcada para setembro. "Há estudos de novas fronteiras com elementos suficientes para incluir essas áreas no leilão da ANP. Mas depois da reunião, teremos que batalhar pelo parecer dos órgãos ambientais a fim de participarmos da próxima rodada", afirma.

Três refinarias

Mesmo que não tenha petróleo, o Nordeste desponta para o refino como uma forma de reduzir custos de logística para o mercado interno e de viabilizar as exportações. Com três refinarias da Petrobras em construção, a Abreu e Lima, em Pernambuco, e a Premium I e Premium II, no Maranhão e no Ceará, respectivamente, a região vai produzir querosene, diesel, nafta petroquímica, óleo bunker (combustível marítimo) e coque, além do Euro 5, um diesel especial que será destinado ao mercado europeu, e Gás Liquefeito de Petróleo (GLP).

"A produção de diesel das refinarias Premium será 100% para exportação, mas poderá atender também o Nordeste se a Abreu e Lima não der conta da demanda", revelou a gerente de empreendimento da refinaria Premium, Sandra Oliveira, garantindo que será feito todo o esforço logístico para que a produção possa competir com o Oriente Médio.

Cientista anda de bicicleta

Estrela do seminário, o cientista Ralph Sims, da Agência Internacional de Energia (IEA), com sede em Paris, acredita que o aumento da demanda mundial poderá ser reduzido pela eficiência energética que terá que atender ao aumento da necessidade de energia para transportes, mais difícil de reduzir, segundo ele, do que a que originou a crise do petróleo nos anos 70, quando se precisava de energia para calefação. "O etanol do Brasil poderá ser modelo para países da África que cultivam cana-de-açúcar", afirmou Sims, destacando seu custo mais adequado em relação a outras fontes como o hidrogênio.

Para Ralph Sims , os países da Opep não serão mais tão dominantes e um dos principais desafios é reduzir em 50% as emissões de carbono e, até, 2050, estabilizar a elevação da temperatura em 2º centígrados.

"Temos que fazer mudanças tecnológicas para que isso aconteça", previu, sem descartar mudanças mais simples como ele faz ao ir de bicicleta, no centro de Paris, para o seu escritório.


Fonte: Gazeta Mercantil - Nacional - NA p. A10: Nacional