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A décima rodada do Conselho Nacional de
Política Energética, que deverá
acontecer ainda este ano, poderá apontar
mais duas áreas para prospecção
de petróleo envolvendo os estados de Pernambuco,
Ceará e da Paraíba.
A possibilidade foi anunciada ontem pelo secretário
de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco,
Fernando Bezerra Coelho, na abertura do I Seminário
Internacional de Petróleo, Gás e
Fontes de Energias Alternativas, realizado em
Recife.
Segundo o secretário, uma das bacias de
prospecção está na Chapada
do Araripe, metade em Pernambuco e metade no Ceará,
e a outra em parte da Paraíba chegando
a toda Zona da Mata Norte pernambucana, próxima
ao litoral.
Novas fronteiras
O diretor da Agência Nacional de Petróleo
(ANP), Nelson Narciso, disse que as áreas
só serão confirmadas com a décima
rodada da ANP que está para ser definida
na reunião do Conselho Nacional de Política
Energética (CNPE) marcada para setembro.
"Há estudos de novas fronteiras com
elementos suficientes para incluir essas áreas
no leilão da ANP. Mas depois da reunião,
teremos que batalhar pelo parecer dos órgãos
ambientais a fim de participarmos da próxima
rodada", afirma.
Três refinarias
Mesmo que não tenha petróleo, o
Nordeste desponta para o refino como uma forma
de reduzir custos de logística para o mercado
interno e de viabilizar as exportações.
Com três refinarias da Petrobras em construção,
a Abreu e Lima, em Pernambuco, e a Premium I e
Premium II, no Maranhão e no Ceará,
respectivamente, a região vai produzir
querosene, diesel, nafta petroquímica,
óleo bunker (combustível marítimo)
e coque, além do Euro 5, um diesel especial
que será destinado ao mercado europeu,
e Gás Liquefeito de Petróleo (GLP).
"A produção de diesel das refinarias
Premium será 100% para exportação,
mas poderá atender também o Nordeste
se a Abreu e Lima não der conta da demanda",
revelou a gerente de empreendimento da refinaria
Premium, Sandra Oliveira, garantindo que será
feito todo o esforço logístico para
que a produção possa competir com
o Oriente Médio.
Cientista anda de bicicleta
Estrela do seminário, o cientista Ralph
Sims, da Agência Internacional de Energia
(IEA), com sede em Paris, acredita que o aumento
da demanda mundial poderá ser reduzido
pela eficiência energética que terá
que atender ao aumento da necessidade de energia
para transportes, mais difícil de reduzir,
segundo ele, do que a que originou a crise do
petróleo nos anos 70, quando se precisava
de energia para calefação. "O
etanol do Brasil poderá ser modelo para
países da África que cultivam cana-de-açúcar",
afirmou Sims, destacando seu custo mais adequado
em relação a outras fontes como
o hidrogênio.
Para Ralph Sims , os países da Opep não
serão mais tão dominantes e um dos
principais desafios é reduzir em 50% as
emissões de carbono e, até, 2050,
estabilizar a elevação da temperatura
em 2º centígrados.
"Temos que fazer mudanças tecnológicas
para que isso aconteça", previu, sem
descartar mudanças mais simples como ele
faz ao ir de bicicleta, no centro de Paris, para
o seu escritório.
Fonte: Gazeta Mercantil - Nacional - NA p. A10:
Nacional
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